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Como nascem os impostos

impostoMaquiavel deixou uma lição muito clara em seus textos: o Príncipe deve fazer o Bem aos poucos, e o Mal de uma vez só. Essa sim foi uma verdadeira lição maquiaveliana.

Evidente que uma sociedade necessita de impostos, taxas e contribuições, mas diferentemente da época do filósofo que iniciou este artigo, nossa sociedade não espera um príncipe virtuoso e com espírito de cuidar do reino. Mesmo porque não existe posse da cidade, a tradição não é hereditária, o poder não está num sobrenome nem mesmo em um sangue. O poder é coletivo, a responsabilidade é comum, a participação é de toda a sociedade.

Aí resolvem tomar as chamadas medidas administrativas e políticas de gabinete, ou seja, toda decisão importante é concretizada numa sala, com distintos políticos e/ou técnicos, que traçam em seus argumentos o planejamento que levará o progresso e desenvolvimento social. Até que um desses técnicos ou políticos dá a seguinte solução: precisaremos instituir um imposto!

A corda sempre arrebenta no lado mais fraco. Será? Findadas todas as possibilidades, e esperamos que várias tenham sido analisadas, não há escapatória, precisarão cobrar mais uma quantia financeira do cidadão e da cidadã. Qual o próximo passo? Enviar ao Legislativo um projeto de lei que institui a cobrança? Bom, se a época fosse a de Maquiavel, com toda certeza, o Príncipe nem precisaria ter esse esforço, era só mandar anunciar em praça pública.

Mas, já que estamos em tempos modernos, a sociedade é democrática e o poder emana do povo, que confere aos eleitos o poder distinto de cada pessoa para a condução da comunidade, nada mais justo do que compartilhar a decisão com a população e decidir conforme a maioria se manifestar, correto?

Não, o problema ainda está na política de gabinete. Pra quê todo o trabalho de consultar, perguntar, ouvir e debater com o povo, no fundo a única solução será o imposto, não é? É aí, exatamente, que os nossos líderes estão errando, na interpretação equivocada de Maquiavel, muitos de nossos políticos acreditam que o autor, nascido em Florença, disse mesmo que o Príncipe deve ser amado ou temido. Não há erro mais grosseiro que possa cometer um Chefe de Governo, pois nunca existiu essa lição.

Para os que defendem o maquiavelismo, sim. Utilizam dos belos textos antigos para justificar suas mais internas aspirações pessoais e políticas. Mas, estamos quinhentos anos à frente do filósofo, se há a preocupação em fazer o bem como forma de estratégia política, e sabemos que todo bem acontece aos poucos, pois exige planejamento e execução que demandam tempo, a mesma preocupação deve ser observada no momento de tomar ações consideradas não tão boas, e essas acontecem de imediato.

Todo líder comprometido sabe compartilhar ideias e repartir decisões, bem como filtrar e analisar todas as posições contrárias e favoráveis, mas para isso é indispensável a conversa e a troca de informações. Entre um príncipe que passeia com seu cavalo para ver como vai o reino, e um governante que pensa uma cidade enclausurado em sua sala de comando, eu prefiro um líder que promova uma Audiência Pública e me convença que o progresso e sucesso do município dependem de mais uma contribuição minha.

Imposto é necessário, ainda, em uma sociedade, mas o nascimento de novos deve ser com a participação da comunidade, não em uma sala articulada sabe-se lá pra onde, afinal, imposto bom retorna em melhorias, correto?

1 comentário

  1. Maria Cristina

    Parabéns, perfeito, é por isso que sempre digo que após as eleições a política partidária deveria acabar pois o candidatos eleitos serão os representantes do povo e pelo povo, qualquer ação pertinente a mudanças seja quais forem, leis, impostos, projetos e outros, deveria sempre existir a audiência pública onde o povo tem o direito de dar sua opinião e sugestões, afinal vivemos ou não em uma Democracia, o Brasil é de quem, é nosso(POVO) ou apenas de uma cúpula que faz o que bem entendem e que seja de conveniência a eles?

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