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Do Virtual para as Ruas

em_progressoAs manifestações populares que tomaram as ruas de capitais e cidades brasileiras são uma absoluta novidade numa sociedade tida como adormecida, passiva e conformista nos últimos vinte anos.

Cientistas políticos estão queimando neurônios para entender esse novo modelo de protesto, organizado na questão de meros centavos, mas com um clamor ainda maior com inúmeras diretrizes.

Meus pais, e tantos outros, lutaram para que a vontade popular pudesse ser expressa através de um governo legítimo, com a finalidade simples de atender as necessidades e avanços de toda a sociedade. Conseguiram!

Agora, após novo período democrático, o panorama nos mostra que o sistema político se tornou alto sustentável e vicioso onde os interesses financeiros de grupos prevalecem, podemos ter essa clara visão quando questionamos o fato de um Vereador/Deputado gastar milhões em uma campanha eleitoral, e se somarmos todos os ganhos obtidos no cargo investido, a conta não bate.

Tirando a questão das cifras, e voltando pra realidade cotidiana dos brasileiros, a consciência política que a cada dia todos vão adquirindo, demonstra que a prática apresentada não contém participação e decisão baseada nos anseios populares. Exemplo: na votação do último Código Florestal, 80% da população se posicionava contra, nesse total grande porcentagem não sabia corretamente como era o projeto (ou a explanação política não foi bem feita), mas foi a voz da sociedade que não foi bem compreendida, pois 85% dos nossos congressistas votaram a favor. Isso é representatividade?

Os brasileiros estão mostrando que o limite está bem próximo, a eficiência e eficácia precisa acontecer no ordenamento político nacional, o compromisso e comprometimento com um gasto público correto, planejado e de frutos realmente que melhorem a vida de toda a comunidade precisa ser realidade.

Manifestar é um direito legítimo, deve ser ordeiro e pacífico. Os que já estão ocorrendo, podem ter certeza, estão dando tremedeira nos políticos, pois sabem que precisarão pensar muito mais antes de tomar qualquer medida administrativa e política, a força do povo finalmente é sentida, lutar por melhorias é essencial para que os representantes realizem de fato com muito zelo ao erário.

É muito visível o desejo de participação. As pessoas querem ser consultadas, querem que suas opiniões sejam levadas em conta. A democracia representativa no Brasil está claramente vivendo uma crise. Os conselhos, as consultas públicas, no geral, foram esvaziados de conteúdo e, sobretudo, de poder decisório, travado por um sistema burocrático e linguagem técnica regadas à gota de rivotril, para uma soneca bem longa. É importante reconhecer que não conseguimos avançar na direção da construção do controle social sobre as políticas e o espaço público. Especialmente a política urbana – completamente capturada por esses interesses corporativos, entre eles, o das empresas de ônibus – viveu até agora um grande retrocesso. Aliás, você sabe como é pago o transporte público de sua cidade, quanto recebe de imposto, quanto abre mão de imposto, quanto subvenciona?

Ontem (18), estive na manifestação de SP senti que não se trata de protesto com a finalidade de derrubar um governo, partido ou personalidades políticas. É um movimento nacional sem partido, sim, sem líderes, sim, e quem não souber fazer a nova leitura política social, está fadado a não conseguir mais um diálogo com todos os brasileiros.

Ah, me perguntaram se as manifestações tem pauta ou projeto, mas essa eu deixo pra vocês responderem: com a devida arrecadação de tributos e tarifas, o que precisa ser aperfeiçoado?

 

Um abraço!!!

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