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Legislativo e suas (o)posições

balançaVereador de situação é bom, vereador de oposição é mal. Concordam que alguns pensam assim? Não? Vereador de situação ajuda o Prefeito, vereador de oposição atrapalha. E agora? Errado? Vereador de situação sempre vota a favor do prefeito, vereador de oposição sempre contrariamente. Ainda não concordam, que a maioria da população enxerga assim?

Constantemente esse tipo de ideia surge na maior parte dos cidadãos, e não podemos estranhar, afinal, grande parte do tempo, em um Legislativo é isso mesmo que ocorre, ou seja, alguns vereadores agem sumariamente desse modo, e quase a totalidade não consegue explicar o porquê disso, seja de situação ou oposição. Afinal, situação nem sempre é boa, e oposição nem sempre é ruim.

Se o princípio que oposição só vota contra, que só questiona, apresenta emenda, induz dúvida e preocupação, quer tempo pra estudar, o princípio oposto se traduz por uma situação conformada, satisfeita, conhecedora e por fim favorável à propositura. Pois bem, o Parlamento é a Casa do debate, isso todo mundo já ouviu, e um debate deve obedecer a certas etapas, pois a política ali empregada é a representativa de toda a comunidade, e assim qualquer projeto interessa ao macro, o melhor pra grande maioria.

Erroneamente a mídia gosta de noticiar leis e mais leis, achando que assim está informando melhor seus telespectadores. Particularmente eu não quero lei atrás de lei, pois ordenamento legal que muda muito, ou novas regras são criadas a todo vapor, pode ter certeza, cada vez mais a vida de cada um corre o risco da falta de controle público, burocracia, norma sobrepondo norma com instabilidade jurídica, econômica e social.

A situação não deve ser sempre favorável, e a oposição não precisa contraditar constantemente. A classe política precisa entender que o senso comum é a melhor saída. O Executivo, por exemplo, pode elaborar um brilhante projeto, mas as sugestões e dúvidas de um Parlamento precisam ser debatidas, e isso pode partir da base aliada ou da bancada opositora. Nada é tão bom que não mereça um aperfeiçoamento, e tudo que crie muita dúvida deve ser avaliada sua exclusão.

É claro que a questão acima traduz apenas uma parcela da relação política, poderíamos citar os discursos inflamados na tribuna, normalmente pautado pela situação com elogios, agradecimentos, conquistas e afins; já na oposição são críticas, cobranças, questionamentos e correlatos. Exigir que tomem atitudes diferentes do costumeiro é redefinir um modelo, no meu ponto de vista, ultrapassado, mas enquanto entendermos a balança apenas sendo um prato como o bem e o outro como mal, estaremos fadados ao desinteresse dos políticos pelos anseios populares.

Sonho muito em ver uma situação debatedora com sua própria posição? É pedir demais uma oposição constantemente proponente de aperfeiçoamento político? Claro que não, já existe na verdade, tudo depende muito do acompanhamento popular, mas existe.

Precisamos deixar de lado a estigma maniqueísta das posições políticas em um Legislativo. É evidente que os papéis de situação e oposição, democraticamente, existem para equilibrar a força do Poder e seus respectivos governos, já diria o ditado: a unanimidade é burra. A falta dessa balança acarreta a falta de controle da máquina, a despreocupação com a minoria contrária da sociedade, e o espírito que se pode fazer mais com a distribuição necessária de esforços.

Entre situação e oposição eu fico do lado da política.

 

Um abraço!!!

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